Eu estava no seminário, em 1988, quando tive a certeza de que deveria voltar para casa e ir para a universidade. A pergunta que me martelava era estudar o que? Pensava que ia ser pastor. Optei pelo curso de Serviço Social. Passei no vestibular da Universidade Federal Fluminense (UFF) e no dia 27 de março de 1990 iniciei meu curso.
Logo nos primeiros dias tive a certeza de que havia feito a opção correta. Tive uma vida estudantil movimentada e ao mesmo tempo tinha preocupações que trago até hoje sobre a formação dos Assistentes Sociais. Fui diretor do Diretório Acadêmico Maria Kiel, diretor do Diretório Central dos Estudantes e aproveitei todas os espaços de Formação Profissional para me preparar para ser um assistente social comprometido e competente. Quando a Escola de Serviço Social da UFF fez 50 anos fui escolhido para ser o ex-aluno homenageado representando todos os ex-alunos. Tenho um enorme orgulho de ter feito Serviço Social na Universidade Federal Fluminense.
Quando me formei, em 1993, fiz concurso para a Universidade e fui chamado pela UNIRIO, mas na época estava mordido pela militância social e fui trabalhar como assistente social na Organização Internacional Médicos Sem Fronteiras. Lá, o Serviço Social ganhou imensa força técnica, mesmo sendo uma instituição médica. Nos Médicos Sem Fronteiras pude desenvolver inúmeras ações em participação com a população.
Foi, sem dúvida, o lugar onde mais vivenciei as dificuldades do povo brasileiro. Uma experiência única na minha vida profissional. Sem dúvida que o trabalho em Vigário Geral foi a atividade mais marcante e desafiante de minha carreira. Saí de Vigário Geral no inicio de 1998 e até hoje vejo os frutos de nosso trabalho sólidos naquela comunidade em que a violência imperou por tantos anos.
Desde que ocupo cargos públicos sempre me preocupei em fortalecer o Serviço Social. Fui o primeiro Secretário municipal do Rio a ser assistente social. Defendo que o Serviço Social tem objeto próprio de trabalho e que este é o campo da proteção social. Defendo que a Assistência Social é a política determinante no fazer profissional. Na Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) da Prefeitura do Rio de Janeiro consegui, em 3 anos, chamar via concurso mais de 1.000 assistentes sociais e que seus salários tenham um patamar médio de R$3.000,00 mês. Consegui que 80% dos cargos de direção da SMAS sejam ocupados por assistentes sociais. Dos 10 coordenadores regionais, 9 são assistentes sociais, por exemplo.
Tenho orgulho em dizer que trabalhei muito para o fortalecimento do Serviço Social na cidade do Rio de Janeiro. Como não faço parte de um partido de esquerda, ou mesmo não concordo com as orientações metodológicas dada pelas sucessivas direções dos Conselhos, que ao meu ver não fortalecem a profissão, comecei a vivenciar uma inusitada "perseguição "por parte dos órgãos colegiados do Serviço Social. Alguns que se diziam bolivarianos começaram a buscar me inviabilizar na gestão da SMAS.
Em 2006, com muita dor no coração, pedi meu cancelamento de registro no Conselho Regional de Serviço Social. Me auto exilei para que pudesse continuar a colaborar com o Serviço Social de forma ampla, mas sem controle político e sem uma censura preconcebida por origem partidária ou ideológica. Não sou marxista, não sou bolivariano, não sou ligado à academia ,mas sou, antes de tudo, um ser político que defende como poucos a carreira de Serviço Social no Brasil. Estou no "exílio" aguardando ventos democráticos e plurais para poder voltar a exercer minha profissão, mas antes de tudo acredito que um profissional deve ser livre em seu pensar e não pode ser cerceado cotidianamente.
Contudo, o exílio não me fez parar de defender o Serviço Social. Sendo assim, tenho as seguintes propostas:
- Um assistente social para cada 1.000 habitantes da cidade até 2015;
- A criação por lei da Escola Carioca de Gestores da Assistência Social;
- Criação do mestrado profissionalizante de Serviço Social para profissionais com 5 anos de atividades na Prefeitura do Rio;
- A progressão do salário para que o piso se torne de 10 salários mínimos durante o Plano Decenal;
- Concurso imediato para o Governo Estadual;
- Concurso imediato para as cidades fluminenses;
- Debate amplo sobre a formação profissional para que os currículos de formação observem o cotidiano de forma concreta;
- O fortalecimento do Sindicato dos Assistentes Sociais;
- Lutar para que tenhamos assistentes sociais como Vereadores, Deputados Estaduais e Deputados Federais;
- Radicalizar o conceito de democracia nas instancias superiores do Serviço Social;
- Garantir a presença de assistentes sociais nas assessorias dos Conselhos de Direitos;
- Implantar amplo programa de estagio para alunos de Serviço Social;
- Criar a Biblioteca Virtual de Serviço Social;
- Criar o Centro de Memória do Serviço Social na cidade do Rio de Janeiro;
- A criação por lei do Plano de Cargos e Salários dos assistentes socais da Prefeitura do Rio de Janeiro.
