Conheça AQUI os dados básicos do Timor Leste
Conheça AQUI o comunicado do Presidente da República do Timor Leste Dr. José Ramos Horta.
Conheça AQUI o relatório feito pelo Embaixador do Brasil no Timor Leste Edson Marinho Duarte Monteiro sobre a visita técnica na área social da delegação da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.
Conheça AQUI a proposta de cronograma e agenda
Veja
AQUI as fotos da visita técnica.
TIMOR LESTE
18/04/08
O Timor Leste é um pequeno país. Muito distante do Brasil. Durante muitos anos viveu sobre um longo processo de escravidão e exploração promovido pela Indonésia.
Seu processo de libertação foi acompanhado por todo o Mundo. Todos queriam um Timor Leste livre. O povo do Timor conseguiu.
A luta do povo Timorense para conseguir a liberdade tão esperada durante décadas foi dura, foi sangrenta.
Agora é preciso construir um país. Precisam de ajuda.
O Presidente do Timor Ramos Horta esteve com o Prefeito Cesar Maia e pediu apoio. O Prefeito Cesar Maia prontamente atendeu. Hoje, eu e a Professora Ana Telles estaremos seguindo para o TIMOR. Iremos para Trabalhar 3 dias com o Ministério da Solidariedade Social.
Aproveitarei a semana de feriado e irei ao TIMOR para junto com eles pensar em uma Política Nacional de Seguridade Social e a Professora Ana Telles irá focada no debate sobre crianças e adolescentes.
Um desafio enorme. Chegar no Timor não é nada fácil. Mas é um desafio muito animador. Alguns amigos apontaram os riscos desta viagem. Eu num primeiro momento achei que eles tinham razão. Para que viver riscos?
E lá veio Clarice Lispector me dizer que eu estava errado. Eu tenho um texto na minha cama em que ela diz que a "salvação é pelo risco”.
Os riscos que eu posso viver em Timor, eu tenho certeza são muito mais internos do que externos. Ali pode começar um processo de mudança importante. Uma mudança que já se faz necessária para quem já tem quase 40 anos e 15 anos de profissão.
A agenda será intensa, mas com certeza, os projetos que estão sendo desenvolvidos no Rio poderão ajudá-los muito. E eu estou com muitas idéias.
Durante a viagem mando notícias.
CHEGUEI NO TIMOR LESTE
22/04/08
Foi uma longa viagem: Rio/São Paulo - São Paulo/Santiago - Santiago/Aulkland - Aulkland/Sidney - Sidney/Darwin - Darwin/Dilli. UFA! Chegamos.
Não foi tarefa fácil chegar aqui. Eu e a Professora Ana Telles chegamos pela manhã e não quisemos saber de descansar. Emendamos no trabalho com a Embaixada do Brasil no Timor e com o Ministério da Solidariedade Social.
Encontramos uma nação/estado em construção.
Existem muitos problemas. Para todo lado que olhamos, vimos problemas e pobreza mas, existe a certeza de que a liberdade do Povo do Timor só se concretizará, de fato, quando a pobreza for superada.
Por conta dos conflitos de 2006 existem muitos campos de deslocados pela cidade de Dilli. São pessoas que moram em acampamentos provisórios sem qualquer infra-estrutura e que, sem dúvida, mostra-se como um dos maiores problemas do Timor.
Na minha vinda conheci um economista do FMI que me disse que o Timor tem muito dinheiro e que este dinheiro vai aumentar, e muito, por causa do gás e do Petróleo. Hoje há um fundo de 2 bilhões de dólares, por exemplo mas, este economista me disse que ainda há dificuldade de execução de orçamento pelo governo. A questão da Gestão Pública é um grande desafio.
O Timor pode, em pouco tempo, ter um fundo de 20 bilhões de dólares mas terá que saber gastar e gastar bem para superar seus principais desafios.
Planejamento, gestão e equipe são as 3 palavras que estão "martelando" na minha cabeça neste momento.
O Timor quer reforçar a lingua portuguesa como a lingua do País, mas, com a presença de muitas missões humanitárias existe um processo de garantir o inglês como lingua chave.
Aliás amanhã vou escrever sobre a presença das missões humanitárias. Aqui está uma questão fundamental para avançar ou não como Estado. Não adianta a independência de Portugal ou da Indonésia para ter uma "dependência" de organizações humanitárias. Mas isso é um assunto que irei escrever amanhã.
TIMOR LESTE E ENTIDADES HUMANITÁRIAS
23/04/08
Cheguei ao meu segundo dia de intenso trabalho no Timor Leste. Desde ontem percebo que existe uma série de Entidades Humanitárias trabalhando no país.
A presença das Nações Unidas é muito forte.
A presença de estrangeiros trabalhando nos Ministérios também.
A questão que se coloca é qual é o papel das Entidades/Organizações Humanitárias no Timor? Ajudar no desenvolvimento ou atuar apenas nas emergências?
Hoje visitei vários campos de refugiados? Conversei muito com representantes de uma organização Norueguesa e outra com foco em refugiados e de base internacional. Ambas não possuem uma agenda para o desenvolvimento do TIMOR e dizem que o mais importante é atuar nas emergências.
Visitei um campo de refugiados onde as pessoas tinham um teto, mas não tinham qualquer atividade laborativa, educacional, de convivência ou mesmo de saúde. O dia vai passando com as pessoas com um teto mas, o dia vai passando e a vida também.
Fiz uma proposta de agenda: aulas de português duas vezes por semana, agenda cultural com o "cinema no campo"... É possível agregar a questão da emergência à uma política de desenvolvimento. As Organizações Humanitárias precisam ajudar na mudança e não apenas na emergência.
Mas é preciso que as Entidades/Organizações Humanitárias Internacionais com presença no Timor estejam preocupadas com uma Agenda Nacional de Desenvolvimento e não apenas com sua missão humanitária.
Aqui no Timor percebo claramente que são muitas Organizações, muitas idéias e uma ausência total de foco sobre a superação da pobreza. O governo, envolto com missões de todos os tipos, acaba não se articulando a um projeto nacional de combate à pobreza.
É evidente que as Entidades Humanitárias são fundamentais mas, o que discuto é que a agenda a ser executada não pode ser a da Organização/Entidade e sim a do TIMOR que deve ser construída no congresso nacional e com a sociedade.
Ajuda demais as vezes atrapalha.
O que o Timor quer e precisa é de uma identidade nacional de combate à pobreza. Hoje o Presidente Ramos Horta foi ao Congresso Nacional e disse que vencer a pobreza é um desafio do povo do Timor. Um projeto nacional deve ser construído e as Organizações/Entidades Humanitárias devem buscar apoiar este projeto e não oferecer inúmeros projetos paralelos.
Hoje tive uma forte experiência com a juventude. Amanhã vou falar sobre isso.
TIMOR E JUVENTUDE
24/04/08
Ontem presenciei uma reunião de duas comunidades do Timor que haviam brigado e que estavam rompidas. Houve um ritual religioso em que os velhos das duas comunidades usavam a cabeça de um bode morto para que as desculpas fossem aceitas. Era um ritual religioso e político ao mesmo tempo.
Assisti aquele ritual com curiosidade política e cultural.
Ao olhar para trás vi que os jovens das duas comunidades, meio que riam do ritual tradicional dos velhos.
Olhei os jovens e vi que eles usavam brincos, pintavam os cabelos, usavam calças rasgadas. Estavam globalizados e de certa forma viam aquele ritual tradicional como uma coisa do passado.
Era como se em 10 metros eu estivesse entre o século XV e o século XXI.
Ao conversar com os jovens eles afirmavam que queriam estar no século XXI. Eu concordava que eles, de fato, tem este direito. Eles tem o direito como qualquer jovem a estar vivendo o seu própio tempo e não os tempos passados. Respeitar o passado não significa viver o passado.
Fiquei pensando na Agenda Jovem do Timor. Como garantir a este jovem a oportunidade de viver o século XXI e não o Século XV? Isso se dará através da educação, cultura, esportes, viagens, leituras, bibliotecas, internets... É isso que fará ou faz parte desta agenda jovem.
Olhei a juventude do Timor e fiquei pensando na responsabilidade que temos com as juventudes excluídas. Em que século queremos e propiciamos que vivam?
Aqui no Timor eu senti claramente que a juventude já fez a opção de viver no século XXI. Agora cabe ao governo e as entidades que aqui trabalham garantir esta ponte ou quem sabe esta nave espacial para que eles possam chegar lá.
O TIMOR PRECISA SER EMPODERADO
25/04/08
A minha missão de trabalho no Timor durou 3 intensos dias. Dias de muito trabalho, visitas e avaliações. Dias carregados de emoção. Estava no Timor e isso fazia grande diferença no meu olhar sobre o trabalho.
O Presidente Ramos Horta pediu ao Prefeito Cesar Maia uma equipe da Prefeitura para ajudar o governo timorense em programas e projetos de combate a pobreza.
Eu e a Professora Ana Telles estivemos aqui no Timor com esta missão e com esta intenção. E fizemos isso carregados de muita emoção.
É importante destacar que a Embaixada Brasileira no Timor possui uma pequena equipe, mas de valor incondicional. Durante todo tempo o Embaixador Edson e a Ministra Sabine estiveram conosco no trabalho.
Durante estes dias o Presidente Ramos Horta foi ao congresso para fazer um discurso de reconciliação nacional. Era a primeira vez que ele voltava ao Congresso desde o atentado que o atingiu em 11 de fevereiro.
Transcrevo duas importantes falas do Senhor Presidente:
"Além dos problemas relacionados diretamente com a segurança, Timor Leste tem à sua frente outros desafios importantes. O mais urgente é o da ponderação dos meios financeiros disponíveis para o combate à pobreza.”
... o povo diariamente luta para sair da pobreza, falta de alimentos, enfraquecidos e desempregados "
A luta contra a pobreza é sem dúvida o maior desafio do povo Timorense. O maior e o grande desafio. Para isso acontecer de fato será necessário que o estado Timorense se fortaleça. Hoje as organizações humanitárias possuem muito mais força na agenda social do Timor do que o próprio governo.
Existe uma profunda "insegurança" dos diretores do governo, pois em todas as reuniões estão presentes "conselheiros" estrangeiros que na maior parte do tempo conduzem as reuniões.
Lembro-me da Maria do Carmo Brant Carvalho que diz "o estado é a inteligência do processo". É fundamental que o estado Timorense se fortaleça. Organizações humanitárias e técnicos estrangeiros são passageiros. O que fica é o estado e os servidores do Timor.
A Prefeitura do Rio discutiu o tempo todo a construção de uma pacto Timorense de superação da pobreza. Feito, discutido e conduzido pelos Timorenses e não pelos estrangeiros.
Ajudar o Timor é uma obrigação de todo o mundo. Mas não se ajuda substituindo o estado e fazendo pelo estado Timorense. A maior ajuda que o Timor precisa é que sua independência seja concretizada e isso só será possível com uma agenda própria e não com uma agenda definida pelos "malaios" como se chamam os estrangeiros aqui.
Saio do Timor carregado de emoção. Saio do Timor com a sensação de que muito se tem por fazer, mas que quem deve ser empoderado a fazer é o povo timorense.
EMPODERAR. Esta sem dúvida é a missão que temos que desenvolver no Timor.
Para isso vamos continuar trabalhando com a Embaixada Brasileira no Timor. De concreto o Prefeito Cesar Maia já autorizou que toda programação da Multirio e da Rio Filmes seja fornecida gratuitamente ao Timor. Para empoderar fiquei responsável em colaborar na implantação da primeira escola de serviço social no Timor. Para empoderar a Escola Carioca de Gestores da Assistência Social poderão capacitar às equipes do Ministério da Solidariedade Social.
Empoderar. Não realizar. Empoderar e não fazer por.
Para empoderar poderemos receber 30 jovens para estagiar no Projeto Talentos da Vez do Galpão Aplauso para que se forme a primeira companhia Teatral do Timor.
Minha relação com o Timor apenas começou. Mas quero viver e vivenciar um estado e um governo Timorense forte e ativo. Isso é fundamental.
Aqui no site estarei abrindo um link para continuar a tratar do Timor Leste.